SIC

Revista do Ano 1995 - Política 02

Principais acontecimentos nacionais ao longo do ano 1995 (Parte2)SIC > Informação > Programas Informação + Revistas do ano

Jornalista: Ricardo Costa

 

O Jornal da Noite continua a lembrar-lhe os momentos e os protagonistas que fazem a história de 1995.

Um ano que trouxe de novo para a ribalta Freitas do Amaral. Perdeu as eleições presidenciais, ficou sem partido político, escreveu um livro de memórias, mas venceu na política internacional.

Freitas do Amaral surpreendeu tudo e todos e foi eleito secretário-geral das Nações Unidas… da Assembleia-Geral das Nações Unidas, um cargo simbólico que trouxe Freitas do Amaral para a cena política, nove anos depois de ter sido derrotado nas eleições presidenciais.

(Alberta Marques Fernandes)

Freitas do Amaral livro de memórias e ONU

 

Um livro de memórias escreve-se no fim da vida ou no fim de uma etapa. Freitas do Amaral escolheu a segunda hipótese e deu à estampa “O Antigo Regime e a Revolução”. Memórias políticas de um político que todos tinham arrumado na memória. Derrotado presidencial, militante sem partido, figura política sem lugar nos anos 90.

Mas o seu livro de memórias ainda tinha muitas páginas por escrever.

Quatro meses depois, Freitas do Amaral apresentou cumprimentos ao homem que o derrotou nove anos antes, e partiu para Nova Iorque, onde passou a ser Sua Excelência o Presidente da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, um cargo pomposo e simbólico que o colocou lado a lado com os senhores do mundo, na concorrida festa de anos da ONU. Freitas do Amaral: “No início desta sessão notável e histórica, permitam-me que partilhe convosco estes três votos: louvemos as Nações Unidas e os seus fundadores; combatamos os críticos destrutivos da Organização e não lhes permitamos que sejam os aniquiladores das Nações Unidas; chamemos a nós a responsabilidade da nobre e necessária tarefa de nos tornarmos, a partir de hoje, os reformadores das Nações Unidas.”

O próximo volume de memórias ainda não tem título, mas deve começar no pós-revolução e acabar em 1995, o ano em que Freitas trocou Lisboa por Nova Iorque.

Mário Soares

 

Alberta Marques Fernandes (pivô): Como já é habitual, Mário Soares teve um ano em grande. Chumbou a promoção de Fernando Nogueira a vice primeiro-ministro, ponderou a dissolução até ao último minuto, montou uma exposição de caricaturas no Palácio de Belém, partiu um braço, visitou muitos países e empossou um Governo socialista.

Mário Soares: “Os portugueses podem estar tranquilos quanto ao que me respeita. Não os desiludirei.” Fernando Nogueira: “Olá, boa tarde a todos.”

Início do ano

 

O ano de Mário Soares começou ao rubro. A hipótese de dissolução pairou durante três meses e a gota de água foi a subida de Fernando Nogueira a líder do PSD.

Cavaco quis promover Nogueira a vice primeiro-ministro, mas Soares disse-lhe que não neste cantinho do Mosteiro da Batalha, ao som de um requiem português. Dois dias depois, disse não à dissolução. Alfredo Barroso: “O presidente da República, que sempre defendeu o cumprimento dos calendários eleitorais, e tendo em conta que apenas está em causa uma antecipação de três meses, considera que prevalecem as razões para a não dissolução, neste momento da Assembleia da República.” Declaração do PSD: “A não dissolução da Assembleia, hoje anunciada, é uma vitória da estabilidade contra os responsáveis pela instabilidade.

Encontro polémico com Bettino Craxi

 

Acabou este capítulo, mas não acabou a história porque, no dia seguinte, Mário Soares foi até à Tunísia e resolveu visitar Bettino Craxi, um dos homens mais procurados pela justiça italiana. Mário Soares declararia: “É óbvio que estando ele na Tunísia e tendo manifestado o desejo de se encontrar comigo, eu, humanamente, não hesitei um momento em me encontrar com ele.” Pacheco Pereira declararia: “A atitude do sr. Presidente da República, para além de ilegítima, é irrefletida e compromete gravemente a imagem externa de Portugal.”

Pouco abalado com as críticas, o presidente seguiu a sua imparável agenda, até ao dia 27 de maio.

Soares fratura o braço

 

Segurança: “Vamos sentar ali um bocadinho.” Mário Soares: “Não sei se parti o braço.” Anónimo: “Sr. Presidente, um bocadinho de água, pode ser?

Não se está a aguentar.” Anónimo 2: “Sente atrás, tem uma cadeira.” Anónimo 1: “Cuidado com o braço.” Mário Soares: “Sr. Presidente da Câmara, meus senhores, meus amigos, eu peço desculpa deste incidente. Não vi que havia aqui um buraco e, de facto, havia. E eu estou um bocadinho aflito, tenho a impressão que não aconteceu nada de grave, mas devo ter partido, ou ter pelo menos uma luxação aqui no braço direito, visto que eu não posso mexê-lo sem pena de ter uma grande dor.”

Ao fim de dois meses de convalescença, Soares regressou com uma iniciativa difícil de imaginar: uma exposição de caricaturas em pleno Palácio de Belém. Mário Soares foi rei e bombo da festa.

Mas o grande momento do ano estava marcado para o final de outubro. Soares realizou um dos sonhos da sua vida e deu posse a um Governo socialista.

Inauguração do Aeroporto de Macau

 

E isto foi o que se passou por cá, porque Mário Soares deu mais algumas voltas ao mundo e aterrou duas vezes em Macau. Foi lá inaugurar o aeroporto e aproveitou para festejar os seus 71 anos na companhia de mil convidados. Para o ano, há mais.

nas redes

pesquisar