Perfil

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Carlos Graça

Gonçalo Botelho

Carlos Graça, 35 anos – empregado de sala

Sou alfacinha. Nasci em Alfama e sempre vivi no bairro. Aqui cresci, aqui estudei, pouco, aqui casei e aqui me divorciei. Todos me conhecem da rua da Madalena a Santa Apolónia e todos me respeitam. Sabem que o Graça é um tipo de confiança.

Fiz a escolaridade obrigatória até ao 9º ano e até não era mau aluno, mas os meus pais nunca quiseram que eu fosse para a universidade. Se na minha altura houvesse cursos profissionais era o que eu tinha feito, mas não tive essa possibilidade. Ainda joguei uns aninhos à bola, num Clube da zona Oriental, e até era bom jogador. Ganhei umas massas, mas depois tive uma lesão no joelho e tive de parar.

Comecei a trabalhar num café aos 20 anos. Depois fiz um curso de barman e tentei a minha sorte na noite. Estive em algumas discotecas com nome, mas o barulho fazia-me confusão e a malta queria sempre só bebidas rápidas e de pouca qualidade.

Um dia li num jornal, desses que distribuem com o correio, que ia haver um concurso de barmans aqui no clube. E decidi tentar a minha sorte. O meu coquetel de vodka ganhou o concurso e deram-me a hipótese de fazer um estágio. Percebi logo que era uma cena diferente. Qualidade, mulheres bonitas e muito dinheiro. Avisaram-me logo que tinha de ter cuidado, não olhar muito para os clientes e sobretudo não falar deles fora do Clube. Acho que me fizeram uma ou duas partidas para ver se eu caia. Do tipo de me perguntarem lá fora se tinha visto cá dentro um jogador da bola ou um político. Eu nada. Boca fechada. Sei guardar segredos. Acho que o maior segredo que guardo é que sou homossexual. Mas, de facto, ninguém precisa de saber isso.

Estou no clube há 8 anos. Daqui ninguém me tira. Pagam bem, ganho boas gorjetas e posso falar de vez em quando com malta do futebol do meu tempo, que passa por aqui para beber um copo e comer o bife. E pronto, também passam por causa das miúdas, mas disso não falo.

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