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Samara Elias

Sharam Diniz

Nasci em Luanda. A minha família sempre teve algum dinheiro, mas não somos milionários. O meu pai tem algumas lojas e a minha mãe é professora universitária. Andei num colégio privado e sempre tive boas notas. Vim estudar para Lisboa há dois anos e as coisas não estão a correr nada mal. Em Luanda sempre tive namorados mais velhos. Desde os 14 que saio à noite e vou a discotecas. Comecei a conhecer os donos e outras pessoas com dinheiro que me apresentavam aos amigos. E eles davam-me prendas. Queriam-me por perto porque eu era bonita, alegre e dançava bem. Chamavam-me Gazela. Depois, começaram a querer mais. Perdi a virgindade com 16 anos. Nada de especial. Tive sorte. Foi com o filho de um general que tinha 20. Era bonito. Mas não me apaixonei por ele, nem nada disso. Percebi foi que os homens, se lhes dermos a impressão de que podem ter tudo, estão sempre dispostos a pagar as contas, a dar-nos prendas e a fazerem-nos sorrir.

Nem sempre temos de dar, mas temos sempre de receber. Quando cheguei a Lisboa, conheci a Rute. Percebi que tínhamos vidas parecidas e a mesma ideia de como viver os anos académicos. Metemos os nossos perfis no Tinder e começamos a sair à noite. Às vezes era ela que escolhia os gajos, outras vezes era eu. Sempre acima dos 30 anos, sempre com dinheiro, sempre a pagar jantares caros, discotecas. Sempre casados, para não terem ideias. Não tem corrido nada mal. Alugámos um apartamento no Parque das Nações, mas não levamos para lá os nossos amigos. É o nosso refúgio. Infelizmente a renda é bué cara e precisamos de mais uma gazela para o grupo.

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