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Júlia Pinheiro apresenta o seu novo programa na Nova Temporada SIC

"Esta rapariga sou eu e a partir do mês de Outubro vou contar histórias"

Quero a vossa atenção por uns minutos.
Gostava que vissem esta fotografia.

Nao tem nenhum mistério. Nao se destaca por nenhuma singularidade aparente .
Contudo, posso dizer-vos que sobre esta criança risonha e e feliz, paira uma sombra .
É ainda muito pequena mas sabe que à sua volta existe uma ameaça. Uma morte anunciada e quase eminente, adultos focados nas suas preocupações.
Esta criança está sozinha. Amada, cuidada, mas emocionalmente sozinha.

O tempo passou. Os adultos tiveram que cuidar das suas vidas. Esta menina ficou ao cuidado das empregadas, a tragédia familiar já acontece . Uma avó muito amada morreu no quarto ao lado. A escola esperava- a mas chegou lá um bocadinho tarde demais. Odeia a escola, tem um medo terrível da hora de fecho da escola porque acha que se vão esquecer dela. Acaba a primeira classe sem saber ler nem escrever. Anuncia-se um percurso académico catastrófico.

As histórias singulares vivem sempre ao lado da grande História. O mundo está a mudar quando a família desta criança menina resolve ir viver para Moçambique. O pai, o grande herói desta criança, parte para preparar o caminho. A História devolve um colapso. Uma revolução, novos países e esta menina perde o pai de vista durante dois anos. Quando se reencontrarem não serão as mesmas pessoas. Entra no Liceu, o pior Liceu da área metropolitana de Lisboa. Esta adolescente é agora vítima de bullying, é objeto de várias humilhações. A razão não interessa. Quem é diferente incomoda sempre. E esta adolescente afrontava todos. Digna, forte e desconcertantemente alegre.
Venceu o bullying, mas quase não conseguia vencer o que o destino lhe tinha reservado .

No local onde nasceu, o melhor que se podia aspirar era lecionar. Ser professora de liceu. A mãe, muito autoritária estilhaçou-lhe os sonhos, o pai regressado de um exílio forçado só queria exercer disciplina e esquecer-se de que esta menina estava quase a ser uma mulher .

A história está quase no fim. Esta mulher nunca fez nada do que as exigências familiares a obrigavam . Jurou que nunca se casaria , nem teria família. E virou o jogo.
E agora, estão a fazer a pergunta. O que é aconteceu a esta rapariga?
Tinha o mundo todo contra ela mas fez tudo o que não se esperava. Colocou um foco absoluto num objetivo profissional inantingível.
Esta mulher está aqui…
Vai ter um programa em nome próprio.

Esta rapariga sou eu e a partir do mês de Outubro vou contar histórias.

Tenho uma cadeira mágica, na qual todas as pessoas são extraordinários.

Muito obrigada.

(Fonte: Julia.pt)

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