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SIC

Anselmo Pereira

Almeno Gonçalves

Não tive infância. Filho de pai alcoólico, lembro-me, desde sempre, de acordar ao som da gritaria do velho e de me deitar com medo que ele me fosse buscar à cama e descarregasse em mim. A minha mãe foi vítima dos maus vinhos dele.

Durante muitos anos toquei acordeão com o meu pai, por Portugal e Espanha. Depois de os dois morrerem, tive de me desenvencilhar sozinho e criei a minha própria banda: Bigodes Marotos.

Viúvo, mas nunca fui homem de uma mulher só, sempre traí a minha e sei que vou continuar assim. Canso-me das mulheres todas, mas também não consigo viver sem elas. Das mulheres tiro o que preciso e depois mando-as dar uma curva, porque não tenho feitio para aturar ninguém.

Violento, obstinado, duro, alcoólico. É nas minhas falhas que encontro também a minha força. Pois se não fosse obstinado, nunca teria chegado a lado nenhum. A minha força vem da raiva que sinto.

Quando bebo perco o medo de tudo, mas quando estou sóbrio os fantasmas aparecem para me assombrar.

Às vezes acho que o mundo inteiro me quer tramar, mas o meu filho Romeu, a Linda e a mulher de quem gostei vão virar-se contra mim.

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