Perfil

SIC

Rita Gomes

Joana Pais de Brito

Nasci e cresci no Porto e tive uma infância, aparentemente idílica, mas só por fora, porque lá em casa era um martírio. Os meus pais discutiam diariamente, até decidirem divorciar-se e a minha mãe sempre me fez sentir gorda, com pequenas insinuações, ou melhor, alfinetadas. Cedo comecei a compensar tudo com comida.

Trabalho no departamento criativo da editora Lua-de-Mel e escrevo sobre gajas boas. Não é irónico? Nunca me senti bonita, apesar de aparentar estar bem resolvida com o meu corpo. E toda a gente diz que eu tenho o corpo no ponto, mas eu não acho. Acho-me sempre gorda! Sempre critiquei as mulheres que têm o culto do corpo e que baseiam toda a sua felicidade no seu aspeto exterior, mas sou igualzinha.

Divido um apartamento com o meu colega Gabriel, no Porto, mas vamos mudar-nos para a cidade onde trabalhamos, pois não dá para suportar o aumento da renda e é impossível encontrar uma casa barata na Invicta. Gosto de sair, tenho encontros frequentes com desconhecidos, mas em casa da dona Adelaide tenho que comportar-me como uma santa, até porque eu e o Gabriel vamos fingir que somos irmãos para podermos partilhar o único quarto vago.

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